Tema 04

Da floresta à cidade: uma transformação acelerada

Como o pequeno povoado se tornou cidade

A madeira trouxe trabalhadores. Os rios facilitaram o transporte. A ferrovia conectou a região a novos mercados. Em poucas décadas, o pequeno povoado formado no Encontro dos Rios transformou-se em uma cidade em crescimento.

Casas, comércios, hotéis, escolas, oficinas e indústrias começaram a ocupar espaços que antes eram dominados pela floresta. Pessoas vindas de diferentes regiões chegaram em busca de trabalho e oportunidades, impulsionando o desenvolvimento econômico e populacional.

O crescimento de Rio do Sul foi resultado da combinação entre localização estratégica, atividade madeireira e infraestrutura de transporte. A cidade tornou-se o principal centro urbano do Alto Vale do Itajaí e passou a desempenhar um papel cada vez mais importante na vida econômica e social da região.

Nesta página, você vai acompanhar como a madeira ajudou a impulsionar esse crescimento, como a ferrovia transformou a circulação de pessoas e mercadorias e como Rio do Sul se consolidou como referência regional.

  1. De vila a município

    O lugar onde hoje fica Rio do Sul foi recebendo, ao longo das décadas, vários nomes dados pelos colonizadores. Primeiro foi chamado de Braço do Sul, depois Bella Alliança. Em 13 de março de 1912, tornou-se o 5º Distrito do município de Blumenau, com sede em Bella Alliança. A região crescia depressa: comércio, agricultura, primeiras serrarias.

    O distrito era tão dinâmico economicamente que logo começou a se discutir sua emancipação. Em 23 de agosto de 1930, uma comitiva foi recebida pelo Presidente do Estado para pedir a criação do município. O pedido foi aceito: pela Lei Estadual nº 1.708, de 10 de outubro de 1930, Rio do Sul deixou de ser distrito e tornou-se município. A instalação oficial aconteceu em 15 de abril de 1931 — data que é comemorada até hoje como aniversário da cidade.

    Hotel Mayr em Rio do Sul, início do século XX
    Hotel Mayr — um dos primeiros estabelecimentos comerciais da vila que viria a se tornar Rio do Sul.
  2. Por que tanta gente veio para cá?

    O crescimento de Rio do Sul foi resultado da combinação de diferentes fatores econômicos e geográficos. A localização estratégica no Encontro dos Rios, a expansão da atividade madeireira e a melhoria dos transportes transformaram a cidade em um dos principais centros do Alto Vale do Itajaí.

    Ao mesmo tempo, é importante lembrar que essa expansão ocorreu sobre um território que já era habitado pelos povos indígenas da região. A história do crescimento urbano também faz parte de uma história mais ampla de transformações sociais, culturais e ambientais.

    Vista panorâmica de Rio do Sul nos anos 1950 com serraria ao fundo
    Rio do Sul — Década de 1950. Vista panorâmica da cidade com serraria ao fundo.

O que fez a cidade crescer

Cinco forças por trás da expansão de Rio do Sul.

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A localização privilegiada

Bem no encontro dos rios Itajaí do Sul e Itajaí do Oeste, ponto estratégico para o comércio do Alto Vale do Itajaí.

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A madeira

O grande ciclo extrativista das décadas de 1920 a 1950 trouxe muitos trabalhadores para as serrarias e os negócios ao redor delas.

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As estradas de rodagem

Construídas com apoio do governo, facilitavam o trânsito de mercadorias e pessoas.

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A Estrada de Ferro Santa Catarina

Chegou a Rio do Sul no início dos anos 1930 e mudou tudo.

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O comércio

Crescia para atender os trabalhadores das serrarias e os colonos que vinham vender seus produtos.

Depois do ciclo da madeira

A cidade que se reinventou

Mesmo depois que o ciclo da madeira terminou, como vocês irão ver mais adiante, Rio do Sul não parou. A cidade se reinventou. Surgiram novas indústrias — destaque para o setor têxtil, especialmente a indústria do jeans, que daria a Rio do Sul o apelido de "Capital do Jeans".

O comércio cresceu, a educação superior se instalou (com a fundação da UNIDAVI), e Rio do Sul tornou-se a maior cidade do Alto Vale do Itajaí em população, comércio e serviços. Hoje, mais de 70 mil pessoas vivem em Rio do Sul.

Rio do Sul em números

Crescimento populacional 1970 — 2025

Clique ou passe o mouse sobre cada ponto do gráfico para descobrir o que aconteceu em cada década.

20.00030.00040.00050.00060.00070.00080.00027.5381970198019912000201020222025*HabitantesAno
1970

População

27.538

Fim do ciclo da madeira

Fim do ciclo da madeira. A Estrada de Ferro encerraria suas atividades em 1971. 78% da população na cidade e 22% ainda morava no campo.

* Estimativa IBGE. Fonte: Censos Demográficos IBGE (1970–2022).

Estação ferroviária de Rio do Sul com locomotiva a vapor no início do século XX
A locomotiva do progresso

A Estrada de Ferromuda tudo.

1930 — Rio do Sul

Antes da ferrovia chegar em definitivo a Rio do Sul, a comunicação dos colonizadores com o resto do Brasil dependia de estradas precárias e dos rios — embora, para os povos indígenas, os caminhos da floresta e as vias fluviais sempre tivessem sido redes de mobilidade e comércio entre comunidades, muito antes da chegada dos europeus.

A madeira era o principal produto da nova economia, mas levá-la até o Porto de Itajaí pelo rio era difícil e demorado.

1930

O ponto de virada

Isso mudou no início dos anos 1930, quando a Estrada de Ferro Santa Catarina chegou à Estação de Matador, em Rio do Sul. De repente, os vagões podiam levar a madeira do Alto Vale direto até Itajaí — e de lá, de navio, para qualquer lugar do mundo.

A ferrovia foi muito mais que um meio de transporte: foi um acelerador de progresso. As cidades por onde a ferrovia passou se transformaram demograficamente.

O que mudou

  • 01O comércio explodiu.
  • 02As serrarias se modernizaram.
  • 03Famílias se mudaram para trabalhar nas oficinas, estações e serviços do trem.

Da estação para o mundo

A madeira que saía daqui chegava a muitos lugares.

ArgentinaEstados Unidos· melhores tábuasInglaterra· melhores tábuasAlemanhaNorte do BrasilSudesteRio de Janeiro (Distrito Federal do Brasil)· grande mercado da madeira compensada
Linha do tempo

Navegue pela timeline e conheça mais sobre a Estrada de Ferro Santa Catarina

Tem início a construção da Estrada de Ferro Santa Catarina, partindo de Blumenau. O projeto utilizava tecnologia alemã, ousada para a época, e contava com grandes obras de arquitetura.

A ferrovia avança pelo Vale do Itajaí, transformando demograficamente os locais onde passava — atraindo serrarias, comércio e novos moradores.

A Estrada de Ferro chega à Estação de Matador, em Rio do Sul. A cidade ganha conexão direta com o Porto de Itajaí e com o resto do país.

Os vagões levam a madeira do Alto Vale ao Porto de Itajaí, de onde ela parte para outros estados e países como Argentina, Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha.

A Estrada de Ferro Santa Catarina encerra suas atividades, depois de construir 180 km de trilhos entre o Porto de Itajaí e São João Del Rei (atual município de Agrolândia). O fim coincide com o declínio do ciclo da madeira.

Mesmo depois do fim da Estrada de Ferro, a antiga Estação Ferroviária foi preservada e é hoje sede do Museu Histórico Victor Lucas — patrimônio cultural tombado, que conta justamente a história da cidade no tempo do trem. Vale a visita!