As enchentes não são um problema do passado de Rio do Sul. Elas continuam acontecendo — e, em muitos anos recentes, com frequência cada vez maior. As enchentes de 1983 e 1984 forçaram o Vale do Itajaí a olhar com mais seriedade para a relação entre cidade, rios e floresta. Surgiram projetos como o sistema de barragens da bacia do Itajaí (iniciado após a enchente de 1957), o Comitê do Itajaí e sistemas de monitoramento que hoje conseguem prever enchentes com horas de antecedência.
Mas os eventos recentes — 2008, 2011, 2017, 2023 — mostram que essas medidas, sozinhas, não são suficientes. A ciência tem sido cada vez mais clara sobre o que aumenta a vulnerabilidade às enchentes: a perda da mata ciliar, o desmatamento das encostas, a impermeabilização do solo nas cidades, a ocupação de áreas de risco — e, cada vez mais, as mudanças climáticas.
Recuperar a mata ciliar, proteger as encostas e preservar as florestas remanescentes não é apenas uma questão ambiental — é uma questão de segurança das pessoas que moram aqui hoje.
Recuperar a mata ciliar, proteger as encostas e conservar as florestas remanescentes não é apenas uma forma de preservar a natureza. É também uma maneira de cuidar das pessoas, das cidades e das futuras gerações.
A história do ciclo da madeira mostra que as escolhas feitas em uma época podem produzir consequências por muitas décadas. A boa notícia é que o mesmo vale para as escolhas que fazemos hoje. E é justamente sobre essas escolhas — e sobre o futuro que queremos construir — que vamos falar na próxima página.